quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A morte



Ingrata arrebata um ser indefeso.
Toma-lhe de dores e incertezas de quantas horas terá de vida.
Contam-se as horas à espera de um milagre dos Céus.
Mas é fera e fugaz. Sem saber ao certo
ela vem e corrompe os sentidos.
Traz a solidão e o desespero aos ente queridos.
Não pergunta, não quer saber dos sentimentos...
E todos estão à volta de um corpo.
Sem vida,
sem esperanças,
sem sonhos,
sem nada.
A dor enfraquece os próximos...
A dor da perda,
A dor da morte.
E aqueles olhos límpidos como o mar
Lançam-se em direção ao horizonte,
como que questionando o porquê de
terem sido abandonados,
à procura de respostas,
lágrimas caem sem parar
sangrando o brilho de olhos profundos
puros, cansados...
Por que Deus? Por quê?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Condição humana




      O que nos torna seres humanos? Será a matéria, o corpo ou o fato de nos sensibilizarmos, de termos sentimentos, sentirmos alegria, tristezas, raiva e nos comover com situações tão deprimentes a que chega o homem.
      Vive-se todos os dias em função de  afazeres, questiona-se o trabalho, o fato de haver mais um dia, o fato de estar chovendo ou fazendo muito calor. Nos indignamos com o vizinho, com o barulho nas ruas, o transtorno nos ônibus lotados, trânsito que atrapalha os horários de trabalho... enfim...
      Drásticos são os dias se observarmos a dramaturgia que se faz deles. Porém, ninguém se preocupa com o drama que se encontra logo ali, na outra esquina, nos becos úmidos, cheirando a mofo e camuflados por cimento.
      Há muitas vidas que sofrem na aspereza da ingratidão humana, alienadas pela sociedade que exclue e os condiciona a animais, maltrapilhos, bêbados, abandonados, míseros seres pequeninos à espera da graça humana, de um mundo justo e digno para se viver.
     De um lado, a arrogância aliada à futilidade. De outro, a submissão humana condicionada à prisão de se viver indignamente.


Velhice



Doce olhar de menina
que acalenta sonhos
e vive como se ainda brincasse.
A velhice tem esses olhar
assim descritos.
Que penetra-nos como se refletisse
parecendo querer nos dizer algo.
Como se o mundo fosse menos imponente
que sua sábia experiência.
Seu olhar nos remete a um lugar longínquo
praticamente inabitado, em que as pessoas
respeitam a beleza da sabedoria.
Este olhar penetrante e fascinante
Nos observa constantemente
como se muito demorássemos
para perceber os seus sentimentos
ou ignorássemos seus sonhos e ilusões.
Aliados a este olhar estão os gestos
pequenos e graciosos
Lentos e tão seguros de si
Murmuram palavras enigmáticas
como as de uma criança
que inicia sua vida neste mundo.
A velhice é sim, o voltar a ser criança
Uma vez que se fecha como num casulo
e espera, para mais tarde,
Renascer para a vida!

Injustiças

Injustiças...
São manchas negras à espera de bajulações.
Dilacerantes, cortam e provocam a dor
Incessantemente atraem o cheiro podre
que enfastia os ambientes.
Enegrecem o espaço
e convencem à miséria humana.
Vejo pessoas que se espreitam ao lado das injustiças,
deliciando-se com seu sabor e
se alimentando dos restos,
das sobras da condição humana.
A pena é o único olhar a estes seres
que não sabem da vida,
invejam aqueles que apostam em seus dias
a condição para ser mais feliz,
viver para saciar os filhos e a mulher
e voltar para casa mais feliz
por mais um dia ter sido digno
de ser chamado de humano.
Enquanto os "outros", hipócritas
São convencidos pela estupidez
e arrogância de achar que a vida
é a condição para a morbidez humana.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ser



Sou tudo o que busco
E nada do que desejo
A chave para o abismo
E a porta para a felicidade

Entre quatro paredes
Enegreço-me sofregadamente
Em meus cálidos e sombrios
pensamentos
Como se o mundo fechasse à
minha frente e suspirasse
pesadamente aspirando por
liberdade.

Jamais muda-se a alma
Negra, comprimida de desilusões
e alicerçada na aspereza
da imcompreensão
Jamais compreende-se o coração
que fala e cala
Que chama e grita
E não quer fazê-lo
Jamais ouve-se exatamente!

Indefinido


Nada me parece exato
A não ser a certeza de amar
Nada é objetivo, claro  e definido
A interferência da dor
É lúcida em nossas mentes
Viver é tornar-se mais alguém
É sonhar e vibrar com as vitórias
É ter a certeza de que se está bem
É muito mais...
É sentir seu próprio sorriso
Como uma arma contra o
Desespero
É tornar-se vivo para não
Morrer...
Deve-se procurar afastar as
Lágrimas
Que nos derrotam
Os sentimentos que nos abalam
E nos deixam menores
Somos sim o equilíbrio do mundo,
A força do amor nos corações
Selvagens
O escudo contra o desamor e o
Abandono
Somos a consciência do mundo
Que luta pela paz nos cantos
Subumanos
Desse recanto chamado Terra.

Se um dia...



Se um dia estiveres pensando...
Que tua vida
virou o oposto do que sonhavas
Um tédio inocente
Toma conta de teu rosto pequeno,
Abatido, cansado
Amargurado pelas desilusões...
Se um dia...
Ao acordares
E ver que não alegrou-se
Entristeceu em pensar que existe

Se um dia
Ao rever teu pai
Não sentires nada
E o abatimento no rosto daquele velho
Não te surpreender

Se um dia...
Amanhecendo o dia
E você acordar sem vida
Certamente, se pudesse
Você desejaria infinitamente
Viver!
E ver nas coisas simples
As mais puras e belas
Do Mundo!